terça-feira, 2 de outubro de 2012

Il tempo trascina tutto via



"Non è facile pensare a non pensare, camminare senza guardare la strada, passare avanti, non voltarsi mai… mai. Come passa il tempo e l’acqua sotto ai ponti, come trascina tutto via, storie, ricordi, emozioni, sensazioni, tutto davvero. Tutto, davvero? Si, spero. Perché adesso ti guardo da lontano, come ad una vecchia foto stropicciata, alla quale dare ancora un ultimo sguardo, e un altro ancora, prima che il giorno ci spenga. La voglia che ho, di separarmi dal mondo, cresce con me ad ogni giorno del mio silenzio. Com’è che alla fine si arriva sempre a pensare all’inizio? Basta un solo accenno, un tono di voce, un appunto fuori luogo… bisogna attenzione. Lo so, incomprensibile come sempre. Incomprensibile come me, come i sorrisi fatti ad arte, le battute a scena aperta... tutto per nascondermi. Io sarei pronta ad essere anche quella che non sono, e forse è proprio questo il “punto”. Voglio rimanere così, in silenzio, ascoltando il rumore dei lavori per strada, fingendo che tutto quanto accade attorno a me sia solo fittizio, sia solo un’altra canzone che si puó cambiare quando vuoi. Vorrei cancellare, dimenticare, pulire la memoria… ma non riesco neanche a perdere il senso, rimango senza darmi possibilità nemmeno di sbagliare in pace. Se é che ho sbagliato… E si va’ avanti. La strada si allunga, si distende, si estende davanti. Ho fatto troppo per noi. Ho perso anche la ora di partenza. A che serve ricominciare e continuare e riprovare sempre? Non ne vale assolutamente la pena. Non rispondo, tanto so già che nessuna risposta avrebbe senso, anche se la voglia è sempre qui. Non é l’amore che vai via… il tempo si… spengo tutto, la fiction è finita. Si riprende la vita. Non conosco altre parole per poter spiegare o lacrime che valgano il sapore dell’amaro in gola. Sono davvero tante le cose che ho lasciato senza senso, sono cose finite e nessuna di queste cose avrà mai una spiegazione valida, tanto da trovarvi pace. In partenza, ho messo in valigia qualche dubbi e un mucchio di pensieri da portare e abbandonare lontano… Se non altro, lascio li questa roba mia e torno leggera indietro. Ma non ho piú un posto da tornare. Non sto semplicemente sognando il dramma del controllo. Alla fine, vedo che, per bene o per male, ho finito di vagare, sono finalmente a casa, riposo. Ho finito di combattere, sono in pace. E se ancora, a volta, mi viene la malanconia é perché la solitudine é una condizione naturale. Devo fermare, ascoltare e accetare il segno di tregua com me stessa. Perché non ho, e non ho mai avuto, un posto da tornare. E ormai il tempo trascina tutto via, storie, ricordi, emozioni, sensazioni, tutto davvero. Tutto, davvero? Si, magari si…"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dandelion


may I explain it to you:

things change

and friends leave.

life doesn’t stop for anyone.

death, dandelion,

it is just the wind.

or that might be life

sexta-feira, 18 de maio de 2012

We'll always have Paris





A célebre frase de Casablanca é uma lembrança, um momento e uma promessa. Ali, Paris é passado, presente e futuro que coexistem. É a duração. Presente que não pára de passar e passado que se conserva, que permanece, que não pára de ser e por onde todos os presentes passam. Contínuo heterogêneo. O presente, ou real, visto como um recorte do tempo não existe. Porque o tempo é duração e indivisível. E o presente quando percebido já é memória ou virtual, problematizado, sendo já passado, sendo já duração. O 'real' é aquilo que olhamos e ainda não sabemos ver. Mas quando soubermos ele já terá tanto de nós que não será mais o que as pessoas gostam de chamar de real. A percepção do tempo como uma estrutura homogênea e divisível não é mais que uma abstração social dentro dessa perspectiva. A tão falada linha do tempo é uma convenção, ou melhor, uma distorção. E aí chegamos afinal. Paris é uma invenção, uma criação e é eterno. Paris, imagem-tempo. Lembrança, momento e promessa. 
Here's looking at you kid!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Aceito e agradeço!


Resgatei esse poema do Borges pra iluminar o dia.

outro poema dos dons

Jorge Luis Borges
(com tradução de Paulo Mendes Campos e grifo meu)

graças quero dar ao divino
labirinto de efeitos e causas
pela diversidade das criaturas
que formam este singular universo,
pela razão, que não deixará de sonhar
com um plano para o labirinto,
pela face de Helena e a perseverança de Ulisses,
pelo amor, que nos deixa ver os outros
como os vê a divindade,
pelo firme diamante e água solta,
pela álgebra, palácio de precisos cristais,
pelas místicas moedas de Ângelo Silésio,
por Schopenhauer,
que talvez decifrou o universo,
pelo fulgor do fogo,
que nenhum ser humano pode olhar sem assombro antigo,
pelo mogno, o cedro, o sândalo,
pelo pão e o sal,
pelo mistério da rosa
que prodigaliza cor e não a vê,
por certas vésperas e dias de 1955,
pelos duros tropeiros que na planície fustigam os animais e a alva,
pela manhã em Montevidéu,
pela arte da amizade,
pelo último dia de Sócrates,
pelas palavras que no crepúsculo disseram
de uma cruz a outra cruz,
por aquele sonho do Islã que abarcou
mil e uma noites,
por aquele outro sonho do inferno,
da torre do fogo que purifica
e das esferas gloriosas,
por Swedenborg,
que conversava com os anjos nas ruas de Londres.
pelos rios secretos e imemoriais
que convergem em mim,
pelo idioma que, há séculos, falei em Nortúmbria,
pela espada e a harpa dos saxônios,
pelo mar, que é um deserto resplandecente
e uma cifra de coisas que não sabemos
e um epitáfio dos vikings,
pela música verbal da Inglaterra,
pela música verbal da Alemanha, pelo ouro que reluz nos versos,
pelo inverno épico,
pelo nome de um livro que não li: Gesta Dei per Francos,
por Verlaine, inocente como os pássaros,
pelos prismas de cristal e o peso de bronze,
pelas raias do tigre,
pelas altas torres de São Francisco e da ilha de Manhattan,
pela manhã no Texas,
por aquele sevilhano que redigiu a Epístola Moral
e cujo nome, como ele houvera preferido, ignoramos,
por Sêneca e Lucano de Córdoba,
que antes do espanhol escreveram
toda a literatura espanhola,
pelo geométrico e bizarro xadrez,
pela tartaruga de Zenão e o mapa de Royce,
pelo odor medicinal do eucalipto,
pela linguagem, que pode simular a sabedoria,
pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado,
pelo hábito,
que nos repete e nos confirma como um espelho,
pela manhã, que nos proporciona a ilusão de um começo,
pela noite, sua treva e sua astronomia,
pelo valor e a felicidade dos outros,
pela pátria, sentida nos jasmins
ou numa velha espada,
por Whitmann e Francisco de Assis, que já escreveram o poema,
pelo fato de que o poema é inesgotável
e se confunde com a soma das criaturas
e jamais chegará ao último verso
e varia segundo os homens,
por Francisco Haslam, que pediu perdão aos filhos
por morrer tão devagar,
pelos minutos que precedem o sono,
pelo sono e pela morte,
esses dois tesouros ocultos,
pelos íntimos dons que não enumero,
pela música, misteriosa forma do tempo.
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OTRO POEMA DE LOS DONES 
Gracias quiero dar al divino 
Laberinto de los efectos y de las causas 
Por la diversidad de las criaturas 
Que forman este singular universo, 
Por la razón, que no cesará de soñar 
Con un plano del laberinto, 
Por el rostro de Elena y la perseverancia de Ulises, 
Por el amor, que nos deja ver a los otros 
Como los ve la divinidad, 
Por el firme diamante y el agua suelta, 
Por el álgebra, palacio de precisos cristales, 
Por las místicas monedas de Ángel Silesio, 
Por Schopenhauer, 
Que acaso descifró el universo, 
Por el fulgor del fuego 
Que ningún ser humano puede mirar sin asombro antiguo, 
Por la caoba, el cedro y el sándalo, 
Por el pan y la sal, 
Por el misterio de la rosa 
Que prodiga color y que no lo ve, 
Por ciertas vísperas y días de 1955, 
Por loa duros troperos que en la llanura 
Arrean los animales y el alba, 
Por la mañana en Montevideo, 
Por el arte de la amistad, 
Por el último día de Sócrates, 
Por las palabras que en un cr epúsculo se dijeron 
De una cruz a otra cruz, 
Por aquel sueño del Islam que abarcó 
Mil y noches y una noche, 
Por aquel otro sueño del infierno, 
De la torre del fuego que purifica 
Y de las esferas gloriosas, 
Por Swedenborg, 
Que conversaba con los ángeles en las calles de Londres, 
Por los ríos secretos e inmemoriales 
Que convergen en mí, 
Por el idioma que, hace siglos, hablé en Nortumbria, 
Por la espada y el arpa de los sajones, 
Por el mar, que es un desierto resplandeciente 
Y una cifra de cosas que no sabemos 
Y un epitafio de los vikings, 
Por la música verbal de Inglaterra, 
Por la música verbal de Alemania, 
Por el oro, que relumbra en los versos, 
Por el épico invierno, 
Por el nombre de un libro que no he leído: 
Gesta Dei per Francos, 
Por Verlaine, inocente como los pájaros, 
Por el prisma de cristal y la pesa de bronce, 
Por las rayas del tigre, 
Por las altas torres de San Francisco y de la isla de Manhattan, 
Por la mañana en Texas, 
Por aquel sevillano que redactó la Epístola Moral 
Y cuyo nombre, como él hubiera preferido, ignoramos, 
Por Séneca y Lucano, de Córdoba, 
Que antes del español escribieron 
Toda la literatura española,
Por el geométrico y bizarro ajedrez, 
Por la tortuga de Zenón y el mapa de Royce, 
Por el olor medicinal de los eucaliptos, 
Por el lenguaje, que puede simular la sabiduría, 
Por el olvido, que anula o modifica el pasado, 
Por la costumbre, 
Que nos repite y nos confirma como un espejo, 
Por la mañana, que nos depara la ilusión de un principio, 
Por la noche, su tiniebla y su astronomía, 
Por el valor y la felicidad de los otros, 
Por la patria, sentida en los jazmines 
O en una vieja espada, 
Por Whitman y Francisco de Asís, que ya escribieron el poema, 
Por el hecho de que el poema es inagotable 
Y se confunde con la suma de las criaturas 
Y no llegará jamás al último verso 
Y varía según los hombres, 
Por Frances Haslam, que pidió perdón a sus hijos 
Por morir tan despacio, 
Por los minutos que preceden al sueño, 
Por el sueño y la muerte, 
Esos dos tesoros ocultos, 
Por los íntimos dones que no enumer o, 
Por la música, misteriosa forma del tiempo.

Toda mudança deveria começar com uma caixa de livros


Encaixotar é como rever, selecionar, classificar e guardar lembranças. E mesmo que rapidamente, devemos abrir, folhear e reler alguns trechos. Reacomodar as palavras e pensamentos. Escolher o que vai, o que fica esperando seu retorno e do que você pode abrir mão definitivamente. Mudar é, de uma forma ou de outra, um exercício de desapego. Acredito que deveríamos mudar mais, muito mais. Talvez devêssemos mudar todos os anos, meses, dias. Esse mesmo processo que vai produzir sua primeira caixa de livros, vai se repetir com todas as outras coisas, concretas ou abstratas. É como se aos poucos você fosse soltando os sacos de areia que te prendem ao chão.
Saiba que sua missão não é só encaixotar coisas mas sim tentar compreender o que é essencial para o movimento e o que é apenas acessório. É também aceitar que talvez muito do que ficará, não fará mais sentido no seu retorno. Mas sua missão mais importante mesmo é saber abrir mão do que não é mais necessário. 
Atente-se para o fato de que nem tudo que não é mais necessário é ruim, nocivo, supérfluo ou inócuo. Há o que você pode deixar ir simplesmente porque já foi absorvido, já faz parte daquilo que você carregará sem peso pela vida afora. E talvez esse entendimento seja o maior benefício das mudanças.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Lista de 100 coisas que uma pessoa precisa ver/fazer em Paris


  • O Le Figaro listou essas 100 coisas em um artigo. Hoje eu conseguiria comentar muito poucas. Mas vou guardar esse artigo aqui para consultá-lo e para tecer minhas próprias considerações no futuro.

    Les 100 choses qu'il faut avoir faites dans sa vie à Paris

    1. Avoir dîné au Tokyo Eat (XVIe) sans avoir poussé la porte du Palais de Tokyo
    2. Avoir pris un petit déjeuner sur la terrasse du Café Marly (Ier), un Costes parmi tant d'autres
    3. S'être assis autour d'une table à l'Astrance (XVIe)
    4. Avoir organisé un pot sans départ au Train Bleu, gare de Lyon (XIIe)
    5. Avoir dîné chez Lipp (VIe), au rez-de-chaussée et côté rue, de préférence près d'une tête connue
    6. Avoir mangé une soupe à l'oignon aux Halles (Ier)
    7. Avoir acheté une glace en cornet chez Bertillon, la maison mère (IVe)
    8. S'être délecté du Paris-Brest de Philippe Conticini à la Pâtisserie des Rêvesde la rue du Bac (VIIe)
    9. S'être fait plaisir en remplissant son panier à la Grande Épicerie du Bon Marché (VIIe)
    10. Avoir craqué pour le macaron au caramel au beurre salé de Ladurée (VIIIe)
    11. Avoir pris un thé à la menthe à la Mosquée de Paris (Ve)
    12. Avoir déjeuné tamoul chez Pooja (Xe)
    13. Avoir dévoré une côte de bœuf à deux à 6 heures du matin chez Denise, à La Tour de Montlhéry (Ier)
    14. S'être cru à New York en dégustant un club sandwich au Harry's Bar (IIe)
    15. Avoir commandé un plateau de fromages chez Marie-Anne Cantin (VIIe)
    16. S'être ruiné un dimanche matin au marché bio du boulevard Raspail (VIIe)
    17. Avoir déjeuné d'un bento chez Kunitoraya 2 (Ier)
    18. Avoir trinqué avec les vignerons lors de la Fête des vendanges de Montmartre, début octobre
    19. Avoir mangé un fallafel un dimanche chez l' As du Fallafel , rue des Rosiers (IVe )
    Le poulet de l'Ami Louis (Le Figaro)
    Le poulet de l'Ami Louis (Le Figaro)
    20. Avoir dépensé 80 euros à deux pour un poulet rôti-pommes allumettes chez l'Ami Louis (IIIe)
    21. Avoir trouvé le filon pour aller acheter ses fleurs à Rungis et y manger des huîtres
    22. Avoir acheté son thé préféré chez Mariage Frères
    23. Avoir pique-niqué sur le pont des Arts
    24. Avoir mordu dans un sandwich libanais avenue George-V pour se croire à Beyrouth
    25. Avoir fait une pause au New Nioullaville (XIe) pour se remettre du Nouvel An chinois
    26. Avoir pris un café au Flore
    27. S'être assis devant un petit-déj « plateau » à la Coupole, en habitué, sur les banquettes rouges (surtout pas en terrasse)
    28. N'avoir juré que par la tête de veau d'Apicius (VIIIe)
    29. S'être embrassé quai de la Tournelle
    30. Avoir commandé un cocktail au bar Hemingway du Ritz aux couleurs des yeux de son invitée (… avant que le palace ne ferme pour travaux)
    31. Avoir loué une chambre d'amour à l'hôtel Chopin du passage Jouffroy (IXe)
    32. Avoir gravé son nom et celui de son amour dans le mur des catacombes
    33. Avoir joué la carte du doublé gagnant « champagne + plaid » sur le pont d'un Bateau-Mouche pour profiter des lumières sur la ville
    34. S'être donné rendez-vous au moins une fois sur le parvis de Notre-Dame, à la fontaine Saint-Michel ou sur les marches de l'Opéra Garnier
    35. Avoir pris un verre face au soleil couchant au Bourbon, derrière l'Assemblée nationale
    36. S'être promené au Père Lachaise en passant devant les tombes de Jim Morrison et d'Oscar Wilde
    37. Avoir fait une descente dans les égouts et respiré l'odeur
    38. Avoir fait son jogging dans les Tuileries au lever du soleil
    39. Avoir tourné autour de la place des Vosges en essayant de repérer l'appartement de Jack Lang, celui de Maître Binoche, celui de DSK
    40. Être allé jusqu'à Aubervilliers dans le camping de Bartabas
    Randonnée en roller à Paris (Matthieu Colin/Fedephoto)
    Randonnée en roller à Paris (Matthieu Colin/Fedephoto)
    41. S'être inscrit à l'une des randos en rollers dans Paris
    42. Avoir flâné dans la ville lors d'une Nuit blanche
    43. Avoir acheté un abonnement Vélib'
    44. Avoir emprunté l'escalator de Beaubourg
    45. Être allé admirer les vitrines de Noël des grands magasins
    46. Avoir cherché le Café des Deux Moulins rue Lepic, en pensant à Amélie Poulain
    47. S'être perdu dans les sous-sols de Châtelet-les Halles
    48. Avoir arpenté la rue Saint-Honoré sans dépenser un centime
    49. S'être prise pour Shirley McLaine dans Irma la Douce (Billy Wilder) en empruntant la rue Casanova (Ier )
    50. Avoir manqué son changement à Michel-Ange-Molitor et refait un tour pour rien sur la ligne 10 du métro
    51. Avoir assisté à un défilé du 14 Juillet sur les Champs-Élysées
    52. Avoir mis un petit voilier à flot dans le grand bassin du Luxembourg ou des Tuileries
    53. Être allé voir les vieux crocos porte Dorée
    54. Avoir achevé la lecture d'un roman sur l'une des chaises vertes (et introuvables) du Luxembourg
    55. Avoir pris son billet pour une nuit Almodovar ou Lynch au cinéma Champollion (Ve) ou pour un cycle Star Wars au Grand Rex (IIe)
    56. Avoir insulté les taxis, qui passaient tous occupés
    57. Être allé(e) danser au Bal des pompiers, un soir du 14 Juillet
    58. Avoir attendu que la tour Eiffel clignote, depuis le restaurant du Théâtre de Chaillot, à l'entracte
    59. Avoir pris l'apéro sur le canal Saint-Martin, entre deux parties de pétanque
    60. Avoir ondulé au son d'un DJ's set au Batofar
    61. Avoir dansé dans les salons classés de Maxim's le vendredi soir pour les soirées Belle Époque
    62. Avoir parié, un soir d'hiver, sur une course de trot à Vincennes
    63. S'être vu refuser l'entrée de chez Castel
    64. Être rentré à pied au petit matin, faute de bus et de métro
    65. Avoir attendu le lever de soleil depuis les marches du Sacré-Cœur
    66. Être allé au Collège de France assister à un cours
    67. Être là un soir de vernissage à la galerie Kamel Mennour (VIe) pour voir l'artiste (Claude Levêque, Daniel Buren)
    68. Avoir vu un opéra à Bastille
    69. Être allé au Louvre, ne serait-ce que pour sourire à la Joconde et s'attarder dans la salle des Rubens
    Denis Podalydès (Wikispectacle)
    Denis Podalydès (Wikispectacle)
    70. Avoir vu Podalydès jouer à la Comédie-Française
    71. Avoir flâné dans les rayons de La Hune (nouvelle adresse) ou de l'Écume des Pages (VIe)
    72. Avoir admiré la Nuit étoilée de Van Gogh à Orsay
    73. Être entré dans l'atelier de Delacroix place de Furstenberg
    74. Avoir tenté d'entrer dans le château des Brouillards sur la butte Montmartre
    75. Avoir vu la Porte de l'enfer dans le parc du musée Rodin
    76. Avoir compris Austerlitz aux Invalides
    77. Être entré dans le métro par la bouche de Guimard porte Dauphine ou celle d'Othoniel place du Palais-Royal
    78. S'être promené entre girafes et éléphants dans la Galerie de l'évolution
    79. Avoir vu une comédie musicale au Théâtre du Châtelet
    80. Avoir vu jouer la Philharmonie de Vienne ou de Berlin au TCE
    81. Être entré dans les coffres de la Banque de France lors des Journées du patrimoine
    82. Avoir emmené sa progéniture au plus vieux théâtre de Guignol de Paris, rond-point des Champs-Élysées
    83. S'être octroyé un shopping dominical rue des Francs-Bourgeois (IVe)
    84. Avoir acheté des vinyles chez Crocodisc (Ve)
    85. Avoir poussé les portes de l'Herboristerie du Palais-Royal (Ier) et posé plein de questions
    Chez Charvet (Le Figaro)
    Chez Charvet (Le Figaro)
    86. Avoir obtenu son patron de chemise chez Charvet (Ier), haut lieu du sur-mesure
    87. Être ressorti de chez Colette (Ier) avec plein d'objets inutiles
    88. Avoir eu envie d'acheter un chiot, là tout de suite, dans une animalerie du quai de la Mégisserie (Ier)
    89. Avoir assisté à une messe orthodoxe rue Daru (VIIIe)
    90. Avoir enchéri (mais pas trop) dans une salle des ventes à Drouot
    91. Avoir pris du temps pour soi dans un spa de palace (Plaza Athénée ouMeurice)
    92. Avoir dépensé 90 centimes d'euro pour un œuf mayo au Voltaire (VIIe)
    93. Avoir essayé de marcher sur le trottoir de l'Élysée et s'être fait rabrouer par le service d'ordre
    94. Être tombé sur un chauffeur de taxi sympathique
    95. Avoir pris un verre à l'étage du Café Germain et vu dépasser le buste jaune de Sophie, la sculpture de Xavier Veilhan
    96. Avoir assisté au défilé du ballet de l'Opéra de Paris et préparé sa révérence
    97. S'être pris pour une statue sur les colonnes de Buren
    98. Avoir fait l'expérience des cheveux qui se dressent sur la tête dans la salle électrostatique du Palais de la découverte
    99. Avoir essayé des guitares dans les boutiques de la rue de Douai (IXe)
    100. Avoir passé un mois d'août à Paris
    - Être monté en haut de la Tour Eiffel (et l'avoir descendue à pied)
    -Avoir passé un dimanche aux Puces
    -Avoir rejoint Montmartre en funiculaire
    -Avoir pris son billet pour la grande roue
    -Avoir fait un tour en Bateaux-Mouches
    -Avoir fait, comme un touriste, le circuit de l'Open Tour (bus à impériale jaune)
    - S'être moqué des caricaturistes place du Tertre (XVIIIe)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Boas festas e feliz 2011!


Agora e pra sempre,
a minha vida tem algo que é seu.
há dias, meses, anos
não importa a contabilidade dos minutos
nem a física dos meios.
porque independente do espaço e tempo que nos une ou separa,
nós somos parte de um mesmo pequeno mundo.
e só dentro dele a vida faz sentido.
porque é em você,
no seu silêncio tranquilo
ou na sua presença inquieta,
que sou capaz de reconhecer aquilo me diferencia,
que me faz significante e singular
nesse infinito de outros.
e é por você existir que eu agradeço
2010
2011
é quando o futuro vira agora.
onde moram os sonhos que nunca tivemos,
mas já começamos a imaginar.
os caminhos que nunca ousamos,
mas já planejamos cruzar.
as formas de amar que ainda não conhecemos,
e teremos que inventar.
é uma coleção de novos dias
pra recriarmos nossa história
dividirmos filmes, festas, sorrisos,
dores, raivas, trabalhos e segredos.
dias imensos e noites inteiras
de um ano que será
aquilo que fizermos dele.
que a sorte conspire a favor
e que o façamos pleno,
sem penar, sem pesar e sem temer.
Cada dia como nenhum

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Muito melhor que a ficção

Sobre a maternidade, as mudanças e os amigos

A maternidade muda tudo. Muda a forma como você vê o mundo e interage com ele. E muda a forma como o mundo vê você e se relaciona com esse seu novo momento. As mudanças estão por toda parte: na lista de compras, na organização da geladeira, na rotina, nos horários, nas prioridades, nas presenças e nas ausências.

Por mais que você soubesse que essa mudança iria acontecer, ela vai surpreender. Ela vai pegar você pelo pé e vai sacudi-la até você ficar tonta. Não tem como estar preparada. Assim como não tem como não assimilar tudo isso, mais cedo ou mais tarde.

A maternidade tem o poder de apurar. Só fica quem for capaz. E muitos ficam, se modificam conosco. Uns viram tios e tias. Alguns nos dedicam um cuidado ainda mais especial. Outros continuam sendo exatamente como sempre foram. Há amigos de todos os tipos. E eles fazem muita diferença nesse momento. Conte com eles e conte pra eles, porque muitas vezes eles não sabem muito bem quando podem aparecer e participar.

A maternidade também tem o poder de renovar. Novas sensações, hábitos, valores, razões e novas amigas e amigos passam a habitar essa parte recém inaugurada do seu universo.

É claro que no novo, não cabe todo o velho. Mas, muitas vezes, a escolha nem é sua. Tem sempre aquele amigo ou amiga que desaparece depois do parto. É o tipo “pariu, morreu”. Toda mãe tem um caso assim pra contar. Contar, arquivar e esquecer! Porque há muita coisa nova pra ocupar esse espaço, que dirá esse tempo.

Ninguém está dizendo que você vai gostar de tudo. Na verdade, você não vai. É preciso abrir mão de coisas que você considerava divertidas. E, a princípio, você vai achar que está tudo de pernas pro ar na sua vida. Talvez realmente esteja, mas você vai ver que, depois de um tempo, tudo volta a sua órbita natural sem grandes esforços. E quando você menos imaginar, já terá um novo estilo de vida pra chamar de seu. E não há nada mais delicioso que essa sensação de reconstrução. Você, seu BB, sua família e seus amigos dentro da bolha que vocês juntos foram capazes de reinventar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma estranha história de amor

Quando o gato atravessou as grades da janela hoje, trazia um passarinho morto na boca. Sentado na mesa da cozinha, eu tomava meu café amargo. O velho Tom costumava dizer que de doce bastava a vida. Pessoa otimista. Eu acredito que tenha apenas me acostumado com o gosto dela: tudo que é doce me embrulha o estômago, me causa náuseas. Mas não a cena do bicho na boca do gato.

Era quase um espelho. Eu também já estive preso numa boca qualquer. Agonizei entre os dentes que me rompiam o pescoço. E insisti em sobreviver, como o pássaro que ainda se debate sobre o parapeito da janela sob os olhos cuidadosos do bichano. Pensei: e se ele conseguisse escapar? Talvez, ao contrário de mim, não chegaria a fugir. Talvez tenha se entregado ao gato em sacrifício. Pra mim estava claro, era um típico caso de amor, entre o pássaro e o gato.

Por isso, me recuso a andar até a janela e interromper o ritual. Minha intervenção ali seria inútil. Volto para o meu café frio e meu jornal. Às vezes, não há nada melhor que um parapeito e os olhos de um gato guardando você e suas feridas. Eu preferia ter morrido assim. Deixo a ave cumprir o destino que escolheu. Menos nobre, eu também sigo o meu.